Cuidar das Emoções é Cuidar da Vida

 Por: Rachel Zucchetti Schpil – Psicóloga ⚜️

 

Muito tem se discutido o quanto as emoções e os sentimentos influenciam na nossa saúde física e mental. Estudos avançam em várias frentes, tanto na área da medicina, quanto da psicologia, e pesquisas comprovam que, em muitos casos, antes do adoecer propriamente dito, a mente já manifestava sinais de que não estava bem.

Situações estressoras, como perdas e tensões, quando não externalizadas adequadamente, podem resultar no surgimento de doenças e um dos fatores que contribuem para tal consequência é o fato de que, diante de uma determinada dificuldade e/ou ameaça, os níveis de cortisol, conhecido como hormônio do estresse, aumentam significativamente.

O cortisol foi e é imprescindível para a sobrevivência e evolução do ser humano, mas no indivíduo saudável ele terá seus níveis aumentados durante uma situação estressora e, logo após a resolução desta, esses níveis retornarão aos parâmetros normais.

Porém, quando esse estresse é crônico, os níveis hormonais mantém-se elevados, podendo causar graves danos à saúde. Quando essa situação ocorre, podem surgir, no âmbito emocional, doenças como a ansiedade e a depressão. Da mesma forma, no âmbito fisiológico, podem surgir doenças intestinais, cardiovasculares e câncer.

Para que os hormônios do estresse sejam mantidos em seus níveis adequados, faz-se necessário identificar e diminuir as causas dessas aflições. Evidentemente que é preciso ter cautela, pois não existe comprovação científica que o estresse, por si só, pode ser o causador de doenças crônicas, incluindo nestas quaisquer dos tipos de câncer. Os aspectos considerados devem ser multifatoriais, pois fatores genéticos, biológicos e ambientais também estão envolvidos no processo de adoecimento.

Sabendo da relevância das condições emocionais para manutenção da saúde, entender e aceitar nossas emoções, torna-se um passo importante para o bem estar físico e mental.

Apesar do senso comum rotular emoções e sentimentos como semelhantes, ambos tem conotações distintas. De um modo simplista, podemos dizer que a emoção é o que gera o sentimento. A alegria, por exemplo, pode gerar um sentimento de amor, por outro lado, a tristeza pode gerar sentimentos de frustração e medo.

As emoções são sempre geradas por fatos, mas as reações a essas emoções dependem de cada indivíduo e são influenciadas pelas suas crenças e vivências. Os sentimentos, por sua vez, são uma resposta a emoção. Lembro-me de certa vez ter lido que “o sentimento é a mensagem que o coração usa para mandar um recado”.

Enquanto a emoção costuma ser passageira, o sentimento costuma durar mais tempo. Caso estes sentimentos sejam negativos, com o passar do tempo, podem trazer malefícios, tanto para a saúde mental quanto física.

Aaron Beck, psiquiatra norte-americano, considerado pai da Terapia Cognitiva, é um dos estudiosos dos pensamentos negativos e das emoções inerentes. É dele o conceito da Tríade Cognitiva, compondo padrões de como o indivíduo vê a si mesmo, o mundo e o futuro. Segundo ele, pensamentos negativos podem provocar emoções como o medo, o desespero e a desesperança.

Embora esse conceito seja usado principalmente para o entendimento de pacientes depressivos, pode se considerar que essa tríade também contribui para uma melhor análise do adoecimento como um todo, bem como das influências causadas pelos pensamentos e emoções.

Receber um diagnóstico de câncer é sem dúvida alguma impactante. Apesar da medicina ter evoluído de forma significativa e as chances de cura tornarem-se consideráveis, a doença ainda carrega um estigma, pois é relacionada com a morte, ao sofrimento e as perdas. Portanto, é natural que sentimentos como medo, raiva, frustração e angústia possam surgir com o diagnóstico.

Com o tempo cada um encontra sua melhor forma de enfrentar a doença, pois as emoções e os sentimentos necessitam ser expressados. No entanto, não existe certo ou errado, mas o que “faz bem” e o que “faz mal” aos pacientes. Familiares, amigos, terapia e redes de apoio podem contribuir para que a pessoa adoecida atravesse, mais confiante e seguro, pelo período de tratamento oncológico.

A aceitação é uma etapa importante no processo de cura, muitas pessoas relatam também que, após o diagnóstico de câncer, passaram a enxergar a vida de modo diferente, valorizando o que realmente importa e usufruindo com mais intensidade das pequenas alegrias diárias.

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